quinta-feira, agosto 10, 2006

Da mesma forma que há por aí tantas vidas em rodopio e sentimento, há por aí tantos grupos de amigos. Há algo de óbvio e natural na sua forma de lidar com o mundo, que passa por terem todos tido amigos com quem alimentar os traços básicos da sua maneira de estar na vida, com quem adquirir a noção íntima de segurança na posição, no trato, para poder dar-se a uma gestão inconsciente do seu trilho de vontades e hábitos praticamente próprios, sem sensação de novidade nem de perigo demasiado subjacentes.

Mas terá que ser sempre esta a história de uma pessoa normal?
O que me leva a pensar... E se nós formássemos um grupo de inimigos?
Queres ser meu inimigo?

Ora este sou eu: nasci num dia, e vivo num determinado sector da sociedade.
Agora já me podes odiar - comecemos!
Vamos tomar um café discretamente envenenado. Vamos jogar à pedrada. Vamos falar de insulto e difamação. Yuhu.

Não sei lá muito bem se isto cabe aqui no meu blog, é que...
"Ah, mas tu tens um blog."
Sim, parece-me óbvio. Vago, mas um blog.
"O teu blog.. mas tu, quem és?... Um ser vivo suponho..."
Sim, parece-me óbvio... Vaga, mas uma vida.

"Estou a ver."
Pois. Gostaste desta repetição de estrutura na resposta, do reforço (que é o padrão) da incompletude do conceito inserido, e do acréscimo em dramatismo (que é a pompa do inesperado) pelo crescendo de gravidade dessa incompletude, portanto. Ou pelo menos, sentiste que tal sublinhou o dito.
"Pois sublinhou."
Pois.

...

Se tivesse mesmo gente na minha cabeça com quem elaborar, dialogar!
Como dizia o Sr. Álvaro de Campos, "Se ao menos endoidecesse deveras!"